quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Sheik é fake - ou quando a inconsequência fica maior que a bola

Foto: Wallace Teixeira
Se Emerson ganhou o apelido de Sheik pela suntuosidade que o senso comum atribui a esse título é difícil dizer. Muito menos seria pelo significado que o termo tem para a cultura islâmica. Sheik, ou mais precisamente "Sheikh", significaria o ancião, sábio, erudito conhecedor das regras da cultura maometana em seus detalhes maiores. 

"Nosso" Sheik, Emerson, está mais pra Sheik de Agadir, em referência a telenovela da Rede Globo. Lá o Sheik-Fake tinha suas cenas gravadas nas dunas de Cabo Frio, como se fosse no deserto do Saara.
A torcida tricolor e aqueles que lêem as notícias do mundo da bola talvez tenham se assustado com a entrevista que o jogador deu a alguns veículos da imprensa esportiva. Vociferou contra o Fluminense, atacou ex-colegas de equipe sem citar seus nomes, fez críticas genéricos e pouco objetivas ao clube , tudo envolto em um discurso raivoso. E antes de tudo fez questão de avisar - em tom ameaçador - que estava sem freio.

Emerson foi importante para o Fluminense em 2010. Jogador voluntarioso, apresentando-se para a missão em campo de forma dedicada, movimentando-se bem entre as quatro linhas, e criando muitas chances reais de gol, e marcando em momentos importantes.

Se no mundo da bola os feitos de um atleta funcionam como credenciais para que ele ganhe espaço e "moral" num clube, essas mesmas credenciais devem estar a serviço do virtuosismo e da oportunidade, e não da transgressão de regras tão simples - porém tão importantes para um elenco de futebol.

Emerson realmente estava sem freio - mas antes fosse apenas sua língua atingida. Parece que nos últimos meses o camisa 10 perdeu o freio foi em suas atitudes. E curiosamente, em suas entrevistas espalhafatosas, onde atira para todos os lados, apesar de não explicitar alvo, foi incapaz de responder efetivamente às acusações feitas a ele.

O atleta nem sequer mencionou o fato levantado pela imprensa esportiva de que desde janeiro apresentava extrema má vontade com as concentrações do time. Nada sobre o fato de quando perdeu o prazo para tirar um visto para uma viagem referente a partida na Libertadores da América. Nenhuma referência aos problemas extra-campo com outros atletas, que por ele estavam sendo levados para dentro das Laranjeiras. E o pior: nenhuma palavra sobre o quarto de hotel destruído - sabe-se lá por que - em uma das viagens com o time.

Emerson preferiu se calar diante desses fatos e fazer suas críticas genéricas por que sabe que há um clubismo que lhe assenta. Basta ver como torcedores de outros times, principalmente rivais do Flu, exibiram essa entrevista como troféu. 

Sou grato ao jogador, mas assim como Muricy, pisou na bola e mostrou sua verdadeira face. Vá com deus, obrigado pelos serviços prestados, mas quem não tem vocação para ser eterno no tricolor, que tome a porta da rua, tradicional serventia da casa.

E aos clubistas, ouriçados coma entrevista do Sheik-Fake, que lhe carreguem nos braços, o levem para seus clubes e façam mais uma telenovela, de preferência nas dunas de uma praia vistosa, por que parece que grama dura e suor são cenários que o atleta não tem gostado muito de atuar.


p.s: deixo aqui ainda uma transcrição da fala de Zico sobre Emerson, no programa Bem Amigos, em julho do ano passado:

"Ele não deu preferência ao Flamengo. Preferência é o valor do dinheiro: o Fluminense pagou mais e ele foi pra lá. Não existe essa de coração, de ser flamenguista e quero ir pro Flamengo. Se o Flamengo pagasse mais ele viria pro Flamengo. Não condeno a atitude do jogador. É profissional. Mas só acho que não deve ir para o jornal e dizer que o Flamengo é o meu clube, etc. Isso não cai mais."

2 comentários:

  1. Boa! Tb escrevi sobre ele no meu blog ontem.

    guerreiradefora.blogspot.com

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  2. belo blog, Mônica, excelentes textos...um abraço

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